sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

La Passion

Os mais íntimos sabem de minha paixão por sapatos (sempre saltos altos), ainda me lembro de calçar os de minha mãe. Desde muito pequena, depois dos "olhos" eu olho para os "sapatos"! Eu dizia que quando ficasse "moça" iria comprar uma sandália vermelha de saltos bem altos (igual da prima Neusa), chegou tão rápido e comprei muitas. Sempre gostei de moda, por 10 anos trabalhei nessa área, hoje mesmo indiretamente continuo trabalhando, eu amo!
Selecionei alguns modelos que "me gusta" e coloquei a história dos sapatos, só para nossa curiosidade. Vi uma foto no blog Castelo da Li "Your Shoes", gostei tanto que um dia vou copiar essa criação. Quem realmente ama sapatos como eu, vale conferir o blog: www.stylemodateens.blogspot.com (uma matéria ótima sobre estilos e como usá-los).








A origem dos sapatos, muitos atribuem aos egípcios a arte de curtir couro e fabricar sapatos, porém, existem evidências de que os sapatos foram inventados muito antes, no final do Período Paleolítico.
Existem evidências que a história do sapato começa a partir de 10 mil a.C., ou seja, no final do Paleolítico, pois pinturas desta época, em cavernas na Espanha e no sul da França, fazem referência ao calçado.
Entre os utensílios de pedra dos homens das caverna existem vários que serviam para raspar as peles, o que indica que a arte de curtir é muito antiga. Nos hipogeus egípcios, que eram câmaras subterrâneas usadas para enterros, e que têm idade entre seis e sete mil anos, foram descobertas pinturas que representavam os diversos estados do preparo do couro e dos calçados.
No Antigo Egito, as sandálias dos egípcios eram feitas de palha, papiro ou de fibra de palmeira e era comum as pessoas andarem descalças, carregando as sandálias e usando-as apenas quando necessário. Sabe-se que apenas os nobres da época possuíam sandálias. Mesmo um faraó como Tutancamon usava sandálias e sapatos de couro simples, apesar dos enfeites de ouro.
Na Mesopotâmia eram comuns os sapatos de couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo material. Os coturnos eram símbolos de alta posição social.
Na Grécia Antiga, os gregos chegaram a lançar moda, como a de modelos diferentes para os pés direito e esquerdo.
Na Roma Antiga, o calçado indicava a classe social. Os cônsules usavam sapato branco, os senadores sapatos marrons presos por quatro fitas pretas de couro atadas a dois nós, e o calçado tradicional das legiões era a bota de cano curto que descobria os dedos.
Na Idade Média, tanto homens como mulheres usavam sapatos de couro abertos que tinham uma forma semelhante ao das sapatilhas. Os homens também usavam botas altas e baixas, atadas à frente e ao lado. O material mais corrente era a pele de vaca, mas as botas de qualidade superior eram feitas de pele de cabra.
A padronização da numeração é de origem inglesa. O Rei Eduardo I foi quem uniformizou as medidas. A primeira referência conhecida da manufatura do calçado na Inglaterra é de 1642, quando Thomas Pendleton forneceu quatro mil pares de sapatos e 600 pares de botas para o exército. As campanhas militares desta época iniciaram uma demanda substancial por botas e sapatos.
Em meados do século XIX começaram a surgir as máquinas para auxiliar na confecção dos calçados mas, só com a máquina de costura o sapato passou a ser mais acessível.
A partir da quarta década do século XX, grandes mudanças começam a acontecer na Indústria calçadista, como a troca do couro pela borracha e pelos materiais sintéticos, principalmente nos calçados femininos e infantis.

Calçado no Brasil


Inicialmente utilizados somente como proteção dos pés, com a vinda da côrte portuguesa ao Brasil, em 1808, o comércio sofreu um incremento e os costumes europeizaram-se, passado o sapato a fazer parte da moda. Nesta época os escravos eram proibidos de usar sapatos, mas quando conseguiam a liberdade, compravam um par de calçados como símbolo da nova condição social. Como muitos não se acostumavam a usá-lo, viravam objeto de decoração ou de prestígio, carregando-os, orgulhosamente, nos ombros ou nas mãos.
Apesar de existerem várias sapatarias no Rio de Janeiro para atenderem o mercado da alta sociedade local, o calçado normalmente era importado da Europa. No final do século XIX o modelo básico do calçado era a botina fechada de camurça, de pelica ou de seda para as mulheres mais abastadas, e os chinelos para o restante da população feminina.
Nas décadas de 1910 e 1920 o modelo de sapato feminino mais usado no Brasil era o borzeguim ou a botina, evitando os pés expostos, mesmo que os vestidos já tivessem subido seu comprimento.
No pósguerra houve uma mudança muito grande na maneira de vestir e de calçar. A mulher passou a sair às ruas, praticar esportes e cuidar do corpo, sendo o tênis é inventado nessa época. Além disso, como os vestidos encurtaram, os sapatos ficaram mais à mostra, aumentando a preocupação com a estética do calçado.
Os sapatos ficaram mais abertos, deixando o peito do pé descoberto, e podiam ter alças em cima do pé e fechadas lateralmente ou tiras na parte traseira ou presas no tornozelo. O conforto era importante, por causa disso, os saltos não eram muito altos, e permitiam dançar o jazz e o charleston com facilidade.
No começo do século XX a industrialização do Rio Grande do Sul, junto com a proximidade de matéria-prima, o couro, contribui para a criação de um pólo coureiro-calçadista em Novo Hamburgo, dando início à várias indústrias como as de Pedro Adams Filho.


Fonte: www.sapatosite.com.br

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Salomé

Estou na minha fase Oscar Wilde, apaixonada pelo "De Profundis" (minha atual leitura), lembrei-me de "Salomé", certa vez vi um monólogo adaptado para bar (Depois Bar) com Beth Pinn e direção de Benão de Oliveira, apaixonante.
Nunca consigo me esquecer da dança, a sensualidade chega ser cruel!





SALOMÉ
Oscar Wilde

[...]
O profeta sai da cisterna. SALOMÉ olha para ele e recua.
IOKANAAN - Onde está aquele cuja taça transborda de abominações? Onde está aquele que, num vestido de prata, morrerá um dia perante o povo todo? Dizei-lhe que venha para que possa ouvir a voz de quem clamou nos desertos e nos palácios dos reis.
SALOMÉ - De quem está falando?
O JOVEM SÍRIO – Nunca sabemos, princesa.
IOKANAAN - Onde está aquela que, tendo visto homens pintados na muralha, imagens coloridas de caldeus, se deixou levar pela concupiscência dos seus olhos, e mandou embaixadores à Caldéia?
SALOMÉ – É da minha mãe que ele está falando.
O JOVEM SÍRIO – Não, não Princesa.
SALOMÉ - É da minha mãe, sim.
IOKANAAN - Onde está aquela que se entregou ao capitão dos assírios, que usa boldriés nos quadris e tiaras de diferentes cores na cabeça!? Onde está aquela que se entregou aos rapazes do Egito, vestidos de linho e de jacinto, cujos escudos são de ouro, os elmos de prata, e os corpos enormes? Dizei-lhe que se levante da cama da impudícia, da cama do incesto, para que possa ouvir as palavras daquele que está preparando o caminho do Senhor; para que se arrependa dos seus pecados. Ainda que não se arrependa nunca, e persevere nas suas abominações, dizei-lhe que venha, pois o Senhor está com o malho na mão.
SALOMÉ - Mas ele é terrível, é terrível.
O JOVEM SÍRIO - Não fiqueis aqui, Princesa, rogo-vos.
SALOMÉ - Os olhos, principalmente, é que são terríveis. Parecem buracos negros feitos por archotes numa tapeçaria de Tiro. Parecem cavernas negras, habitadas por dragões, cavernas negras do Egito, onde os dragões encontram refúgio. Parecem lagos negros agitados por luas fantásticas... Julgais que continuará falando?
O JOVEM SÍRIO - Não fiqueis aqui, Princesa, rogo-vos que não fiqueis.
SALOMÉ - Além disso, como é magro! Assemelha-se a uma esguia estatueta de marfim. Parece uma estatueta de prata. Tenho certeza de que é tão casto como a lua. Assemelha-se a um raio de lua, a um raio de prata. A sua carne deve ser muito fria, como o marfim... Quero vê-lo de perto.
O JOVEM SÍRIO - Não, não, Princesa.
SALOMÉ - Preciso vê-lo de perto.
O JOVEM SÍRIO – Princesa! Princesa!
IOKANAAN - Quem é essa mulher que está olhando para mim? Não quero que ela me olhe. Por que me olha com os seus olhos de ouro, sob o dourado das suas pálpebras? Não sei quem é. Não quero sabê-lo. Dizei-lhe que se vá. Não é com ela que desejo falar.
SALOMÉ - Sou Salomé, filha de Herodíade, princesa da Judéia.
IOKANAAN - Para trás! Filha da Babilônia! Não vos aproximeis do eleito do Senhor. A tua mãe encheu a Terra com o vinho das suas iniqüidades, e o grito dos seus pecados chegou aos ouvidos de Deus.
SALOMÉ - Fala mais, Iokanan. A tua voz me inebria.
O JOVEM SÍRIO - Princesa! Princesa! Princesa!
SALOMÉ - Mas fala de novo. Continua falando, Iokanan, e dize-me o que devo fazer.
IOKANAAN - Não vos aproximeis de mim, filha de Sodoma, porém,cobre o rosto com um véu, ponde cinzas na cabeça, e ide ao deserto à procura do Filho do Homem.
SALOMÉ - Quem é o Filho do Homem? É tão bonito quanto tu, Iokanaan?
IOKANAN - Para trás! Para trás! Ouço, no palácio, o bater das asas do Anjo da Morte.
O JOVEM SÍRIO - Princesa, suplico-vos que volteis!
IOKANAAN - Anjo do Senhor Deus, que fazes aqui com o teu gládio? A quem procuras nesse imundo palácio?... Ainda não é chegado o dia daquele que morrerá num vestido de prata.
SALOMÉ - Iokanaan.
IOKANAAN - Quem fala?
SALOMÉ - Iokanaan! Estou apaixonada pelo teu corpo. O teu corpo é branco como o lírio de um prado que o ceifeiro jamais ceifou. O teu corpo é branco como as neves que repousam nas monta-nhas, como as neves que repousam nas montanhas da Judéia e descem para os vales. As rosas do jardim da rainha da Arábia não são tão brancas como o teu corpo. Nem as rosas do jardim da rainha da Arábia, do jardim perfumado da rainha da Arábia, nem os pés da Aurora que pisam nas folhas, nem o seio da lua quando repousa no seio do mar... Não há nada no mundo tão branco como o teu corpo – Deixa-me tocar o teu corpo!
IOKANAAN - Para trás, filha da Babilônia! Foi pela mulher que o mal entrou no mundo. Não me faleis. Não quero escutar-te. Só escuto as palavras do Senhor Deus.
SALOMÉ - O teu corpo é hediondo. É como o corpo de um leproso. É como uma parede de gesso por onde as víboras passaram, como uma parede de gesso onde os escorpiões fizeram o ninho. É como um sepulcro esbranquiçado, cheio de coisas nojentas. O teu corpo é horrível, é horrível!...É pelos teus cabelos que estou apaixonada, Iokanaan. Os teus cabelos parecem cachos de uva, cachos de uvas negras que pendem das vinhas de Edom, nas terras dos edomitas. Os teus cabelos são como os cedros do Líbano, como os grandes cedros do Líbano que fazem sombra para os leões e os ladrões que querem esconder-se durante o dia. As longas noites negras, as noites em que a lua não se mostra, em que as estrelas têm medo, não são tão negras. O silêncio que habita as florestas não é tão negro. Não há nada no mundo tão negro como os
teus cabelos... Deixa-me tocar os teus cabelos.
IOKANAAN - Para trás, filha de Sodoma! Não me toqueis. Não se deve profanar o templo do Senhor Deus.
SALOMÉ - Os teus cabelos são horríveis. Estão cobertos de lama e pó. Parecem uma coroa de espinhos posta na tua fronte. Parecem um nó de serpentes negras enroscadas ao teu pescoço. Não gosto do teu pescoço. Não gosto dos teus cabelos... É pela tua boca que estou apaixonada, Iokanaan. A tua boca é como uma fita de escarlate sobre uma torre de marfim. É como uma romã cortada por uma faca de marfim. As flores da romãzeira, que florescem nos jardins de Tiro e que são mais vermelhas do que as rosas, não são tão vermelhas. Os rubros gritos das trombetas que anunciam a chegada dos reis, e metem medo ao inimigo, não são tão rubros. A tua boca é mais vermelha do que os pés daqueles que pisam as uvas nos lagares. É mais vermelha do que os pés das pombas que habitam os templos e são alimentadas pelos sacerdotes. É mais vermelha do que os pés daquele que volta de uma floresta onde matou um leão e viu tigres dourados. A tua boca é como um ramo de coral achado pelos pescadores no crepúsculo marinho e guardado para os reis...! É como o vermelhão encontrado pelos moabitas nas minas de Moab e tomado pelos reis. É como o arco do rei dos persas, pintado de vermelhão e com cornos de coral. Não há nada no mundo tão vermelho como a tua boca... Deixa-me beijar a tua boca.
IOKANAAN - Nunca! Filha da Babilônia! Filha de Sodoma, nunca.
SALOMÉ - Beijarei a tua boca, Iokanaan. Beijarei a tua boca.
[...]
IOKANAAN - Não tendes medo, filha de Herodíade? Não vos disse que ouvira no palácio o bater das asas do Anjo da Morte, e o Anjo não veio?
SALOMÉ - Deixa-me beijar a tua boca.
IOKANAAN - Filha do adultério, só há um homem que pode salvar-te. É aquele de quem te falei. Ide procurá-lo. Está num barco no mar da Galiléia, falando aos discípulos. Ajoelhai-vos na beira do mar, e chamai-o pelo nome. Quando ele vier até vós, e ele vem a todos os que o chamam, prosternai-vos aos seus pés e pedi-lhe a remissão dos vossos pecados.
SALOMÉ - Deixa-me beijar a tua boca.
IOKANAAN - Amaldiçoada sejais, filha de mãe incestuosa, amaldiçoada sejais.
SALOMÉ - Beijarei a tua boca, Iokanaan.
IOKANAAN - Não quero olhar-te. Não te olharei. Estás amaldiçoada, Salomé, estás amaldiçoada.
SALOMÉ - Beijarei a tua boca, Iokanaan, beijarei a tua boca.
[...]


Sobre "Salomé" de Oscar Wilde

O Amor no limiar da Loucura, num vórtice passional onde se fundem as mais primitivas pulsões recalcadas no inconsciente humano, Oscar Wilde partiu de uma história bíblica para a construção de uma brilhante peça de teatro - fato que lhe valeu a proibição da publicação e exibição em Inglaterra por influência da ala protestante que proibia a representação de personagens da Bíblia - de um dramatismo pungente pela intensidade das emoções vertidas pelas personagens que intervém na trama. A peça foi, originalmente, composta em língua francesa e interpretada em Paris pela carismática e sedutora atriz dos finais do século XIX e início do século XX - Sarah Bernhadt é grandemente aplaudida na Cidade-Luz. Olhando a obra do ponto de vista psicanalítico podemos, talvez, inferir que a construção do perfil psicológico das personagens reflete a controversa sexualidade do autor, isto é, uma homossexualidade camuflada e uma misógina mais do que evidente. A corroborar o fato, podemos observar que todas as características do ideal de beleza física de Wilde estão presentes na figura de João Baptista que é, para o autor, o (seu) verdadeiro objeto de desejo enquanto que este (Wilde) se projeta na figura de Salomé, possuidora da aparência física que ele gostaria de exibir. A faceta misógina do autor encarna uma mulher de beleza fatal, mas diáfana, a qual ele identifica com a Lua - um símbolo que personifica a ambigüidade e simultaneamente a fronteira entre a realidade e a loucura - fato ilustrado pelos presságios patentes em vários momentos deste drama intenso, quando as personagens são advertidas do perigo de sucumbir à perda da razão pela excessiva contemplação da Lua/Salomé. Porque a Lua, tal como a Princesa Real, possui uma face oculta (ao fim e ao cabo como o próprio Wilde em relação à sua própria sexualidade camuflada sob a capa de um casamento e dois filhos) que, em Salomé, será a ausência total de limites quanto à satisfação do seu desejo e que se opõe à sua aparência angelical e é sua capacidade de enlouquecer quem por ela se deixa enfeitiçar. Ao longo da peça vai sendo porém, progressivamente, desvendado o ambiente propício à tragédia assinalado por presságios, pela ocorrência da morte daqueles que contemplam demasiado a figura lunar de Salomé. João Baptista é o único que salva a alma abstendo-se de a contemplar agarrando-se firmemente à adoração do Filho do Homem para escapar à periculosidade da sedução feminina. Mas não consegue salvar a vida. Porque cai no erro de humilhar alguém que sente a turbulência de um primeiro amor que ele não compreende e que se propõe a condenar sem piedade. Não esqueçamos que João Baptista é apenas um humano. Não possui a perfeição espiritual de um filho direto de Deus. A Lua sedutora na figura de Salomé reage violenta e passionalmente tirando a vida ao ser amado para concretizar aquilo que não consegue realizar com ele vivo: o beijo que ele lhe negou."Salomé", ao contrário da maior parte da obra de Wilde - onde sobressai a mais fina ironia , está impregnada do universo que povoa o inconsciente deste polêmico autor britânico, com um complexo coquetel de pulsões, fobias, desejos ocultos, tabus sexuais e contradições que emanam do conflito entre o id, o ego e o superego do autor projetado nas personagens. Salomé é a própria personificação do Desejo, das pulsões que são, normalmente, "castradas" pela religião, defendida com uma paixão de verdadeiro fundamentalista por João Baptista. Uma história de amor, loucura e morte que Wilde legou para a posteridade e que obriga o leitor/espectador a refletir acerca dos limites da paixão e da tolerância.

(Cláudia de Sousa Dias)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Samba Canção

Tantos poemas que perdi. Tantos que ouvi, de graça, pelo telefone – taí, eu fiz tudo pra você gostar, fui mulher vulgar, meia-bruxa, meia-fera, risinho modernista arranhando na garganta, malandra, bicha, bem viada, vândala, talvez maquiavélica, e um dia emburrei-me, vali-me de mesuras era comércio, avara, embora um pouco burra, porque inteligente me punha logo rubra, ou ao contrário, cara pálida que desconhece o próprio cor-de-rosa, e tantas fiz, talvez querendo a glória, a outra cena à luz de spots, talvez apenas teu carinho, mas tantas, tantas fiz... (Ana Cristina César)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

La Vie

domingo, 28 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo

"Para seu inimigo, perdão.
Para um oponente, tolerância.
Para um amigo, seu coração.
Para um cliente, serviço.
Para todos, caridade.
Para toda criança, um exemplo do bem.
Para você, respeito."
(Oren Arnold)
Isso é muito lindo, peguei da mensagem que a minha gerente deixou no quadro.
Realmente se seguirmos isso: seremos mais felizes!
Em três dias estaremos no Ano Novo.
Dois dias antes do Natal, estava atendendo um cliente, muito educado e sempre amigo e perguntou:
- Carmen, o que você me diz do ano que passou, conseguiu tudo o que queria, seus projetos saíram da gaveta?
Quase nem pensei e respondi:
- Faltou um amor, sim isso faltou! (rs)
Foi um ano bacana, mudanças aconteceram.
Um novo trabalho (segmento diferente), novos amigos (uns que chegaram e outros que se foram), muita música, nova tattoo, o encontro de Lígia e Rafael (o noivado), os sustos que meu Pai nos deu (perdi a conta), Ana Luiza sempre me lembrando que estou viva e tenho que continuar a luta.
Ouvir Ana Luiza cantando no Coral me fez muito feliz.
Fazendo um balanço geral, eu diria: que deveria ter encontrado mais vezes com os amigos (não tive tempo), vi pouco minha Mãe, perdi alguns eventos importantes (que adoraria ter ido, mas não deu), os possíveis encontros com o "violonista" (que nunca deram certo ou chegaram acontecer), senti falta de sair mais na "noite".
Mas para o próximo ano, tenho vários projetos, incluindo fazer o que não pude nesse ano. E quem sabe, em uma dessas esquinas da vida, eu me apaixone.
Desejo a todos um ótimo Ano Novo, que nunca nos falte saúde e paz.
Que Deus ilumine nossos caminhos.
A música de Ivan Lins (Acaso) é para Lígia e Rafa, o "acaso" deu uma "força" para encontrarem a felicidade.
Um grande abraço no coração de meus amigos queridos, que nunca me deixam sozinha.
Amo todos.
Grande Abraço nos Amigos
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O meu caminho com o seu
Eu nem queria mais sofrer
A agonia da paixão
nem tinha mais o que esquecer
Vivia em paz, na solidão
Mas foi te encontrar
E o futuro chegou como um pressentimento
meu olhos brilharam, brilharam
No escuro da emoção
Não sei se o acaso quis brincar
Ou foi a vida que escolheu
Por ironia fez cruzar
O seu caminho com o meu...


(Ivan Lins/Abel Silva)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Estela

"Sou como você me vê, posso ser leve como uma brisa,ou forte como uma ventania, depende de quando, e como você me vê passar."
(Clarice Lispector)

Assim é Estela, como a citação de Clarice Lispector!
Fotos de seu aniversário na Choperia 566 com muita música.
Essa menina vai deixar saudade, está de viagem para Belém (PA), lá que vou passar minha férias (sem pagar hotel ...rs).Vou sentir saudade de seu abraço, quando precisei (com a doença de meu Pai), ela aparecia do "nada" e me falava:

- Você precisa de um abraço, eu sinto isso!

Realmente eu precisava e me fortalecia.
Ela me conquistou com o seu jeito doce.



Com Estela

Cíntia, Regina e Eu

"costa"


Só festa

Só festa

Adoro fim de ano, muito trabalho e muitas festas.
Postei algumas fotos da nossa "Confraternização", uma bela feijoada, bons amigos, e a banda (cantando: o movimento é sexy... sexy...).
O ponto alto da festa foi o "karaokê": Tati e Luiz (um show com a música brega "Não se vá"), Estela e Ly Ferraz : cantaram muito, Ricardo foi uma surpresa (mandou bem) mas foi pagode (rs).
Teve até Papai Noel.
Nesse dia Ana Luiza aprendeu a jogar brilhar com Daniel.
Na foto da minha nova "tattoo", era para aparecer mais o desenho, mas é borbeleta.
"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz."
(Clarice Lispector)
Com Papai Noel e Ana Luiza

Petit

nova Tattoo

Alexandra, Ly, Andrea, Angel e Regina

Lindas

Gatas

Nós ...

Ana Luiza

Estela, Daniel,Tatiane, Angelita, Débora e Vivan

domingo, 30 de novembro de 2008

Toma-me

Poema de Hilda Hilst para Ly Ferraz e Leeh, que fizeram aniversário essa semana.




"Demoiselles d'Avignon" - Pablo Picasso




Toma-me.
A tua boca de linho sobre a minha boca Austera.
Toma-me agora, antes
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo. Da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu delinqüescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma.
Mas ao teu lado me estendo
Imensa
De púrpura. De prata. De delicadeza.


(Hilda Hilst)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Um pouco mais de Elisa Lucinda

Adoro a linguagem de Elisa Lucinda.
Algumas palavras chocam um pouco, mas é nosso cotidiano.
Escreve bem, interpreta, canta e linda... quer mais?
Visitem o site, sintam um pouco mais dos belos poemas, conheçam o trabalho feito pela ONG.




A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas
Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo,
terceiro mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não...
me vejo ressurgida no banheiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressuscitada
passaporte sem mala
com destino de nada!
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento
Hoje, praticamente, eu morro quando quero:às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!
Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:- Não, tava só deprimida.

(Elisa Lucinda) http://www.escolalucinda.com.br/

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Querido Pedro

Sexta-feira, entrei na primeira sala e prendi o salto do sapato na tomada, não fosse minha facilidade em administrar sentimentos ou "saia justa", desmaiaria ou viraria líquido! Encontrei meu entrevistador: jovem, bonito, simpático, muito educado (com procedência). E tornei-me membro de sua equipe.
Oito meses, experiência, aprendizagem e conviver com uma pessoa iluminada. Consegui dar um "Up", motivou-me a "recomeçar", estou gostando de "tentar" aprender inglês.
Caso fosse uma "despedida" eu colocaria Nina Simone cantando "Ne me quitte pas", mas é uma oportunidade de crescimento, então vou colocar B.B. King cantando um belo Blues e brindaremos com vinho tinto. Como diz o poeta: "Levamos uma vida inteira para amar uma pessoa especial, quem é especial fica!"
Boa sorte querido, nessa nova fase de sua vida, todo meu sentimento nas palavras de Mário Quintana.

Te adoro!




Pedro Pina




É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente,
o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar,
a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem
nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te,
azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.


(Mário Quintana)

Muita Bossa

Domingo dia 16, Parque do Campolim lotado, nem o intenso sol afastou o público, quase 5000 pessoas para ver mais um show do Projeto Metso Cultural, com produção da MDA International : Laércio de Freitas Trio e Emílio Santiago. Consegui uma sombra e pontualmente 11h iníciou com um repertório de "bossa" (instrumental), depois entrou Emílio Santiago (vestindo uma camiseta : "Barack Obama - Vote"), cantando nada mais que "Eu sei que vou te amar ".
Uma hora e meia de boa música.
Para saber mais do Projeto e agenda: http://www.mdainternational.com.br/ também pelo site http://www.teiacultural.com.br/ (esse site é muito bacana, divulga e faz coberturas de eventos culturais), um ano no "ar" sem patrocínio, tudo feito com a maior boa vontade, competência e amor pela cultura.


Emílio Santiago

A noite eu e Ana Luiza (com os amigos Rafael, Vivian, Luiz , Débora avec namorado), curtimos o "Circo Roda Brasil" com o espetáculo "Oceano".Tudo impecável: roteiro, cenografia, trilha sonora e atores (um luxo).

Formado da união dos grupos Parlapatões e Pia Fraus, o Circo Roda Brasil está com o novo espetáculo "Oceano", a trupe segue com a proposta de renovação da arte circense brasileira agregando novas técnicas aos já tradicionais palhaços, trapezistas e malabaristas. Desta vez, algumas das novidades são os "jumpers", espécie de perna-de-pau que ajuda o artista a saltar e a utilização de patinadores em "halfs" espalhados pelo palco. "Tentamos ampliar o público para falarmos também com os jovens, com uma leitura contemporânea do espetáculo de variedades que é o circo", diz Hugo Possolo, diretor artístico do espetáculo "Oceano" e fundador do grupo Parlapatões.É com a proposta de mistura de linguagens que "Oceano" conta a história de um menino que perde seu patinho de borracha durante o banho na banheira e, quando tenta recuperar o brinquedo, acaba sendo levado pelo ralo e cai no fundo do mar. Lá, o menino encontra pingüins patinadores, sereias e piratas trapezistas, cavalos-marinhos acrobatas e outros seres marinhos circenses. Circo Roda Brasil mistura referências e características típicas dos dois grupos que o compõem, agregando o lado cômico e físico dos Parlapatões à experiência cênica com bonecos e artes plásticas do Pia Fraus.
http://www.circorodabrasil.com.br/




Esse é lindo

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Eu te amo e suas estréias

Elisa Lucinda nasceu em Vitória, no Espírito Santo, onde se formou em jornalismo e chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio disposta a seguir a carreira de atriz. Trabalhou em algumas peças, como "Rosa, um Musical Brasileiro", sob direção de Domingos de Oliveira, e "Bukowski, Bicho Solto no Mundo", sob direção de Ticiana Studart. Integrou, ainda, o elenco do filme "A Causa Secreta", de Sérgio Bianchi."O Semelhante", onde a poeta se apresenta declamando seus versos e conversando com a platéia, estreou no Rio e teve temporadas de sucesso em várias capitais. No mesmo formato apresentou "EU TE AMO Semelhante", também com excelente receptividade. Publicou, entre outros, os livros "A Menina Transparente", "Eu te amo e suas estréias", "O Semelhante" e a "Coleção Amigo Oculto" (trilogia infantil). Gravou os Cd’s de poesias: “Semelhante” e “Eu te amo e suas Estréias” .Há quem critique a temática por demais cotidiana da poesia de Elisa. "A grandeza de um céu estrelado está presente no cotidiano das pessoas; minha poesia fala do cotidiano, sim, pois para mim os sentimentos mais profundos, alegres ou tristes, podem ser traduzidos de forma cotidiana e simples", ela rebate.


Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido “eu te amo”
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importo, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o “Eu te amo”
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição parece maculá-lo ou duvidá-lo…
Qual nada!Pois que o eu te amo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe
com exuberância comum e com novidade diária
e aí dizemos em espanto bom: Que dia lindo
E é! Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,é sempre uma
Uma loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água, a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo
é o prazer.Vê: tudo em nós comemora
ao novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Beber é novidade
Sorrir é novidade
Banhar-se é novidade
Transar é novidade
Beijar é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso eu te amo agora
como nunca antes
Porque quando eu te amei ontem
Eu te amava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio
daquela disposição de verbo
Eu te amo hoje com você dentro
embora sem você perto
eu te amo em viagem
portanto em viragem
diferente da que quando
estava perto.
Meu certo é alto, forte
Eu te amo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Eu te amo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei.


(Elisa Lucinda)

domingo, 9 de novembro de 2008

O que é o amor?

Acordei atrasada e perdi a prova. E ouvia no rádio Selma Reis. Depois do atraso, concentrei-me na música, lembrei de "Riacho Doce", quem não se lembra da bela "loura" Vera Fischer mergulhando nas águas de Fernando de Noronha? A praia de Riacho Doce em Alagoas também é linda demais! Acabou a música e penso, o fim do ano chegou, a cidade já está em clima de natal, as pessoas também. Percebo que muita gente muda de comportamento, "paira" uma certa bondade forçada, não é bem por aí . Isso tem que ser o ano todo. Nossa vida é uma correria, não temos tempo para a família, amigos ou até mesmo para nós. Tento aproveitar o máximo de tudo isso, claro que não sou Madre Teresa de Calcutá período integral, mas procuro ser transparente em meus sentimentos e atitudes.
Nem tento recuperar o tempo perdido, já que o natal está chegando.
Só nos resta: "amar" todos que encontrar pelo meu caminho.

O que é o amor?
Onde vai dar?
Parece não ter fim
Uma canção
Cheirando a mar
Que bate forte em mim
O que me dá
Meu coração
Que eu canto
Pra não chorar?
O que é o amor?
Onde vai dar?
Por que me deixa assim?
O que é o amor?
Onde vai dar?
Luar perdido em mim...
(Danilo Caymmi/Dudu Falcão)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Valsa Brasileira





Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer.


(Edu Lobo/Chico Buarque)

sábado, 1 de novembro de 2008

Homenagem "100 anos de Cartola"

Parabéns ao Jornal Cruzeiro do Sul (José Antonio Rosa), ao músico Lucas Sales e Grupo e ao Bar Depois, pela homenagem ao nosso grande compositor "Cartola". Pela manhã quando vi o jornal, delirei ... Em pensar que jovens músicos pesquisam e fazem "boa música".
Lembrando também que é aniversário do músico Jadson Fernandes (que estará no Bar Depois): parabéns querido, nós te amamos.




Show com o cantor Lucas Sales, que tem o timbre vocal parecido com o do compositor, resgata clássicos como 'As Rosas não falam' e 'O Mundo não é um Moinho'.
Há dois anos, o cantor Lucas Sales estava no bar Na Aba, tradicional reduto de sambistas do bairro de Pinheiros, em São Paulo, quando foi convidado a dar uma canja. No palco, interpretou Acontece, de Cartola, um de seus autores preferidos.
No exato momento da apresentação, entra na casa Beth Carvalho. Depois de assistí-lo, impressionada, ela diz: - E não é que o Agenor baixou no menino?. A avaliação mais do que abalizada referia-se ao timbre vocal muito parecido com o do sambista, cujo centenário de nascimento é comemorado em 2008.
O público de Sorocaba terá a oportunidade de conhecer, em primeira mão, o trabalho e conferir de perto a semelhança. É que Lucas apresenta, hoje, a partir das 22h, no Depois Bar, um tributo ao compositor.
Ele pretende transformar a produção num show e excursionar pelo país. Em cena, estará acompanhado de uma formação que lembra os regionais da época de ouro. Estão no grupo João Paulo Barbosa (sax e flauta), Fabinho (violão de sete cordas), Fábio Leal (bandolim) e, muito provavelmente, o percussionista Cléber Almeida.
Esse time executa um repertório que destaca clássicos de todos os tempos, como Alvorada, O sol nascerá, Peito Vazio, Preciso me Encontrar, Não quero mais amar a Ninguém, Sala de Recepção, e, claro, O Mundo é um Moinho e, com certeza, As Rosas não Falam.
Lucas contou ao Mais Cruzeiro que quis dar ao espetáculo um toque de originalidade e aproveitou ao máximo o fato de ter a mesma tessitura vocal que a de Cartola. Não se trata, ele garante, de imitação, mas de trabalhar os recursos de que dispõe.
Músico da noite, Lucas Sales tem composições próprias que deve incluir num CD a ser gravado oportunamente. O projeto, ele explica, depende de patrocínio. Os temas podem ser categorizados no que se convencionou chamar de música popular universal, bem ao estilo do que faz Hermeto Pascoal, outra influência que o artista assume.

A cartola do pedreiro


Cartola (1908-1980), o autor que será homenageado na apresentação de logo mais, nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Batizado Agenor de Oliveira, tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria.
Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando a vida de boêmio. Após trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro.
Vem dessa época o apelido, pois usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça. Em 1925, com o Carlos Cachaça, que se tornaria seu mais constante parceiro, foi um dos fundadores do Bloco dos Arengueiros.
Da ampliação e fusão desse bloco com outros existentes no morro, surgiu, em 1928, a Estação Primeira de Mangueira, segunda escola de samba carioca. Apesar da facilidade para compor, e da riqueza melódica das criações, pouco do seu talento foi aproveitado. Problemático, Cartola simplesmente desaparece do bairro onde vivia em 1941. Muita gente chegou a pensar que ele tivesse morrido. Foi o cronista Sérgio Porto que, em 1956, quinze anos mais tarde, o resdecobriu lavando carros em uma garagem de Ipanema e trabalhando à noite como vigia de edifícios.
Casado, nos anos 60, com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, Cartola transforma a casa onde mora num ponto de encontro de sambistas. Entre as tantas histórias que contam das reuniões lá organizadas, à base de feijoada e caipirinha, uma ganhou status de lenda.
Consta que Ciro Monteiro, conhecido pelo apetite desmedido, abusou do direito de comer num dos almoços a que compareceu e passou mal. Conhecido como Formigão, Monteiro assustou outros convidados que pensaram estar diante de um quadro bem mais grave.
Um garoto corre até dona Zica e avisa do problema. Ela, então, prepara e serve a ele um chá para reverter os efeitos do mal estar. Ciro pega a xícara e, antes de beber, pergunta: - Não tem uma bolachinha para acompanhar?.
A gravação do primeiro disco só aconteceria em 1974, quando Cartola conta já com 66 anos de idade. Logo depois, em 1976, sai o segundo LP, que continha uma de suas mais famosas criações, As rosas não falam. Em 1978, quase aos 70 anos, muda-se para o bairro de Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo. Em 1979, lançou seu quarto álbum, Cartola 70 anos. Descobre, nesta época, que estava com câncer, doença que causaria sua morte, em 30 de novembro de 1980.
(Jornal Cruzeiro do Sul - João Antonio Rosa)


Serviço:
"Tributo a Cartola"
Com Lucas Sales e Grupo
Hoje a partir das 22h, no Bar Depois, à rua Cônego Januário Barbosa, 123 - Sorocaba

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pequena Ode Mineral





Desordem na alma
que se atropela
sob esta carne
que transparece.
Desordem na alma
que de ti foge,vaga fumaça
que se dispersa,
informe nuvem
que de ti cresce
e cuja face
nem reconheces.
Tua alma foge
como cabelos,cunhas, humores,
palavras ditas que não se sabe
onde se perde
me impregnam a terra
com sua morte.
Tua alma escapa
como este corpo
solto no tempo
que nada impede.
Procura a ordem
que vês na pedra:nada se gasta
mas permanece.
Essa presença
que reconheces
não se devora
tudo em que cresce.
Nem mesmo cresce
pois permanece
fora do tempo
que não a mede,
pesado sólido
que ao fluido vence,que sempre ao fundo
das coisas desce.
Procura a ordem
desse silêncio
que imóvel fala:silêncio puro.
De pura espécie,voz de silêncio,mais do que a ausência
que as vozes ferem.


(João Cabral M Neto)

Canção da América

Aos amigos queridos: presentes, ausentes, de perto ou de longe e os que se foram .
Gostaria de colocar a foto de cada um, mas não é possível. Escolhi a capa de "Clube da Esquina" Milton Nascimento e Lô Borges para representar todos.

Sinto saudades de alguns que moram longe (Renata e Claudyo), os que demoram aparecer por terem muitos compromissos (mas sempre estão em meu pensamento). Aos que já se foram e um dia com certeza nos encontraremos, aqueles que sempre estão a meu lado, os mais recentes (que convivem diariamente comigo) e as minhas filhas Lígia e Ana Luiza (grandes amigas).




Amigo é coisa prá se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir...
Mas quem ficou
No pensamento vôou
Com seu canto
Que o outro lembrou...
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança
Que o outro cantou...
Amigo é coisa prá se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância
Digam não...
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração...
Pois seja o que vier
Venha o que vier
Venha o que vier...
Qualquer dia amigo
Eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo
A gente vai se encontrar...
Pois seja o que vier
Venha o que vier
Venha o que vier...
Qualquer dia amigo
Eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo a gente
Vai se encontrar...


(Milton Nascimento/Fernando Brant)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Carta aos Amigos

"O sol poente" - Tarsila do Amaral

Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse um fragmento de vida, possivelmente não diria tudo o que penso mas em definitivo pensaria tudo o que digo.
Daria valor as coisas, não pelo que valem, senão pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais,entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais se detêm, despertaria quando os demais dormem.
Escutaria quando os demais falam, e como desfrutaria um bom sorvete de chocolate! Se Deus me obsequiasse um fragmento de vida, vestiria simples, me atiraria de bruços ao sol, deixando descoberto, não somente meu corpo senão minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo, esperaria que saísse o sol.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que lhes ofereceria à lua. Regaria com minhas lágrimas as rosas, para sentir a dor de seus espinhos, e o encarnado beijo de suas pétalas...
Deus meu, se eu tivesse um fragmento de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer as pessoas que quero, que as quero. Convenceria a cada mulher ou homem de que são meus favoritos e viveria enamorado do amor. Aos homens lhes provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de enamorar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de enamorar-se! A criança lhe daria asas,
porém lhe deixaria que sozinho aprendesse a voar.
Aos velhos lhes ensinaria que a morte não chega com a velhice senão com o esquecimento.
Tantas coisas tenho aprendido de vocês, os homens... Tenho aprendido que todo o mundo quer viver no topo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Tenho aprendido que quando um recém nascido aperta com seu pequeno punho, pela primeira vez, o dedo do pai, o tem apanhado para sempre. Tenho aprendido que um homem só tem o direito de olhar a outro com o olhar baixo quando há de ajudar-lhe a levantar-se.
São tantas coisas as que tenho podido aprender de vocês, porém realmente de muito não haverão de servir, porque quando me guardarem dentro dessa mala,
infelizmente estarei morrendo.

(Gabriel Garcia Márquez)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Perder-se também é caminho




As pessoas que se comprazem no sofrimento, que gostam de sentir-se infelizes e fazer aos outros infelizes, jamais poderão orgulhar-se de sua beleza.
O mau humor, o sentimento de frustração, a amargura marcam a fisionomia, apagam o brilho dos olhos, cavam sulcos na face mais jovem, enfeiam qualquer rosto.
Essa é a razão porque a mulher, que cultiva a beleza, deve esforçar-se para ser feliz.
Felicidade é estado de alma, é atmosfera, não depende de fatos ou circunstâncias externas.


(Clarice Lispector)


Foto blog:
www.literatus.blogspot.com

sábado, 25 de outubro de 2008

Cheirando a flor de laranjeira

Wilson Simonal, lembro do seu jeito singular de cantar.
Ouvi "Sá Marina" na voz de Ivete Sangalo, mas tive tanta saudade em ouvi-lo. Era criança quando tudo aconteceu, não entendo como uma "fofoca" foi acabar com sua carreira artística, vida profissional e pessoal, e só muito tempo depois de sua morte, só então, a família conseguiu provar sua inocência.
Que perigo, odeio fofocas.

E ficou Wilson Simoninha herdeiro da bela voz.





Descendo a rua da ladeira
Só quem viu que pode contar
Cheirando a flor de laranjeira
Sá Marina vem pra cantar
De saia branca costumeira
Gira o sol que parou pra olhar
Com seu jeitinho tão faceira
Fez o povo inteiro cantar
Roda pela vida afora
E põe pra fora, essa alegria
Dança que amanhece o dia pra se cantar
Dança que essa gente aflita
Se agita e segue, no seu passo
Mostra toda essa poesia no olhar
Fez o povo inteiro cantar
E fez o povo inteiro cantar...

Roda pela vida afora
E põe pra fora, essa alegria
Dança que amanhece o dia pra se cantar
Dança que essa gente aflita
Se agita e segue, no seu passo
Mostra toda essa poesia no olhar
Deixando os versos na partida
E só cantigas pra se cantar
Naquela tarde de domingo
Fez o povo inteiro cantar
E fez o povo inteiro cantar
E fez o povo inteiro cantar
E fez o povo inteiro cantar


(Sá Marina - Antonio Adolfo/Tibério Gaspar)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Uma voz no vento

Foto é capa do disco "Encontros e Despedidas" de Milton Nascimento, a letra é uma música muito bem interpretada por Leila Pinheiro, e que eu amo!
Um beijo especial aos amigos Elaine e Ricardo, parabéns pela chegada de "Victor".





Uma voz no vento
Chama azul do dia
Doce perfume, canção
Uma voz no tempo
Resiste na noite
E as lágrimas fogem de ti
Uma voz no vento
Uma voz me chama
Brisa de amor
Doce coração
Uma voz no tempo
Carinho na alma
E as lágrimas fogem de ti
Se quem chegou partiu
Se quem virá já foi
Só pra quem fica
Os dias são todos iguais
Mil sonhos pra enterrar
Ventos e vendavais
Corpo e alma vergam
Se os anos pesam demais
No coração
Uma voz no vento
Chama azul do dia
Doce perfume, canção
Uma voz no tempo
Resiste na noite
E as lágrimas fogem de ti
E as lágrimas fogem de mim
E um rio se forma de nós.


(Marcus Viana) www.marcusviana.com.br

Sentir Saudade




Sentir saudade é merecimento e digo sem medo
Sentir saudade é como a poesia encarnada
A espera de alforria e palavra cantada
Luzir saudade, rever saudade

Quando vestido me dispo de saudade
Quando estou nu me pego de saudade
Quando me pego te espero com saudade
Quando te espero me visto de saudade

Sinto saudade até te esquecendo
Sinto saudade lhe vendo e lhe tendo
Sinto saudade as vezes doendo
Sinto saudade enquanto estou vivendo

(André Madi)
www.myspace.com/andremadi

 
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