Abre alas pra minha folia
Encoste essa porta que a nossa conversa
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Esse texto encontrei no "Caderno Ela" - Jornal Cruzeiro do Sul, publicado na edição de 31/07/2009. Isso me levou de volta para infância.
Nasci em dia de Santo Antônio, houve aniversário que foi festa junina, adoro essa festa ... Quadrilha ... até nessa dança eu erro! ![]()
Quando chega o mês de junho, é tempo de quermesse, de fartura, de dança, do colorido das bandeirolas e dos casamentos de mentira. Há que se comemorar os santos, Antônio, Pedro e João, o que requer cardápio adequado e farto: sanduíches de pernil ou calabresa, quentão, pipoca, batata-doce, canjica e bolo de fubá, que desfila o ano inteiro nas mesas brasileiras, não apenas durante as festas juninas.
O bolo de fubá pode ser feito em diversas versões: com erva-doce, com coco, cremoso, com queijo. Simples, para que se possa comê-lo com café, ou com uma fina camada de goiabada derretida, como cobertura. Batido no liquidificador, na batedeira ou na mão, duas xícaras de fubá, uma de trigo, três ovos, leite, duas colheres de margarina, um copo de açúcar, fermento. Dos ovos, separam-se as claras, batidas em neve e levemente misturadas à massa. E sempre há uma criança à espera, para lamber a tigela de massa crua.
Mas bom mesmo é aquele que se espatifa todo ao ser cortado e que derrete na boca, ao ser comido ainda quente. E quando quente, não custa nada se espalhar, sobre sua massa amarelinha, um pouco de manteiga, para observá-la derreter e umedecer a textura de farofa doce, daquelas que não permitem a ninguém, absolutamente, falar com a boca cheia.
A noite cai, salpicada de estrelas. A sanfona desfia alegre, e a quadrilha dança, ao lado da fogueira. O casamento começa, mas logo vem a forma de bolo, cuidadosamente cortado em pequenos losangos. E mal o casamento de brincadeira havia se iniciado, já termina, porque o falso padre dá a benção ao mesmo tempo em que mastiga, e não há chuva e nem ponte caída que impeçam a brejeirice da Mariazinha, de fitas e retalhos, que reparte aos risos um pedaço de bolo de fubá com o João, com quem fugiu para longe da festa. E enquanto riem de mãos dadas, ele assopra das tranças castanhas as migalhas que se espalharam pelo vestido e rolam agora pelo chão. E quando voltam para a festa, o pai da noiva, desconfiado, espia o genro e seu bigode de carvão, desmanchado com os restos de beijo e de fubá...
Míriam Cris Carlos, doutora em Comunicação, acha que comida é memória e é cultura (micriscarlos@uol.com.br)
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Conforme prometi, esse é Marcos Ferreira, amigo e profissional que fez as fotos de meu aniversário esse ano. Teria muitas coisas para falar, mas o resumo encontrei nesse texto de Martha Medeiros. Marcos é elegante!
Marcos FerreiraPostado por La Vie às 20:52 0 comentários
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O calendário está que 20 de julho é "Dia do Amigo", para mim é todo dia! Sempre estou com um, mesmo que seja em pensamento. Ando em fase "Martha Meideiros", escolhi esse texto que diz tudo o que sinto da amizade, nem é necessário dizer mais nada. Para meus amigos queridos: os mais antigos, mais próximos, distantes, mais recentes ... mas todos amigos!

Dei pra me emocionar cada vez que falo dos "amigos”. Deve ser a idade, dizem que a gente fica mais sentimental. Mas é fato: quando penso no que tenho de mais valioso, os amigos aparecem em pé de igualdade com o resto da família. E quando ouço pessoas dizendo que amigo, mas amigo mesmo, a gente só tem dois ou três, empino o peito e fico até meio besta de tanto orgulho: eu tenho muito mais do que dois ou três. São uma cambada. Não é privilégio meu, qualquer pessoa poderia ter tantos assim, mas quem se dedica? Fulano é meu amigo, Sicrana é minha amiga. É nada. São conhecidos. Gente que cumprimentamos na rua, falamos rapidamente numa festa, de repente sabemos até uma fofoca pesada sobre eles, mas amigos? Nem perto. Alguns até chegaram a ser, mas não são mais por absoluta falta de cuidado de ambas as partes. Amizade não é só empatia, é cultivo. Exige tempo, disposição. E o mais importante: o carinho não precisa - nem deve - vir acompanhado de um motivo. As pessoas se falam basicamente nos aniversários, no Natal ou para pedir um favor - tem que haver alguma razão prática ou festiva para o contato. Pois para saber a diferença entre um amigo ocasional e um amigo de verdade, basta tirar a razão de cena. Você não precisa de uma razão, basta sentir a falta da pessoa. E, estando juntos, tratarem-se bem. Difícil exemplificar o que é tratar bem. Se são amigos mesmo, não precisam nem falar, podem caminhar lado a lado em silêncio. Não é preciso troca de elogios constantes, podem até pegar no pé um do outro, brigar talvez (e porque não!?) delicadamente. Não é preciso manifestações constantes de carinho, podem dizer verdades duras, às vezes elas são necessárias. Mas há sempre algo sublime no ar entre dois amigos de verdade. Talvez respeito seja a palavra. Afeto, certamente. Cumplicidade? Mais do que cumplicidade. Sintonia? Oh, céus! Santa pieguice, Batman! Amor? Esta lengalenga de novo? Sério, só mesmo amando um amigo para permitir que ele se atire no seu sofá e chore todas as dores dele sem que você se incomode nem um pingo com isso. Só mesmo amando para você confiar a ele o seu próprio inferno. E para não invejarem as vitórias um do outro. Por amor, você empresta suas coisas, dá o seu tempo, é honesto nas suas respostas, cuida para não ofender, abraça causas que não são suas, entra numas roubadas, compreende alguns sumiços - mas liga quando o sumiço é exagerado. Tudo isso é amizade com trato. Se amigos assim entrarem na sua vida, não deixe que sumam. Porém, a maioria das pessoas não só deixa como contribui para que os amigos evaporem. Ignora os mecanismos de manutenção. Acha que amizade é algo que vem pronto e que é da sua natureza ser constante, sem precisar que a gente dê uma mãozinha. E aí um dia abrimos à mãozinha e não conseguimos contar nos dedos nem dois amigos pra valer. E ainda argumentamos que solidão é um sintoma destes dias de hoje, tão emergenciais, tão individualistas. Nada disso. A solidão é apenas um sintoma do nosso descaso.
(Martha Medeiros)
Postado por La Vie às 21:58 0 comentários

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
(Florbela Espanca)
Postado por La Vie às 21:04 0 comentários
O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.
(Clarice Lispector)
Postado por La Vie às 20:43 0 comentários
Foto simplesmente "tudo de bom"...
Quero olhar e lembrar-me que gosto de homem bonito e de atitude, mesmo depois de morto! Fui chamada, na verdade recebi um e-mail, nem falou olhando nos meus olhos: você é "sentimentalista" e tem "exagero emocionail", amei isso (leia: sentimentalista = todo sentimento e exagero emocial = intensa) , será que me conhece? Olha que sou transparente. "Fratura exposta", tudo ou nada, quente ou frio, não existe meio termo em minha vida, sou por inteira, eu só quero isso!
Nessa procura, encontrei esse texto de Martha Medeiros que tem a minha cara, ou não?
Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos , um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.
(trecho de "O Divã" - Martha Medeiros)
Postado por La Vie às 21:20 0 comentários
Ana Luiza... letra e música de Tom Jobim.
Essa lindinha fez 10 anos no dia 30, um presente de Deus!
Esperei 9 meses por "Lucas" e que supresa ao ver quem veio.
Parece que foi outro dia, Lídice me levava à Maternidade, só via Lígia no final do corredor, felicidade misturada com medo.
Pensei em colocar um poema de Cecília Meireles ou Mário Quintana, mas como Ana Luiza adora música escolhi "Rosa" (combina com o casaco da foto), não é isso... é uma das mais belas letras que conheço.
Eu te Amo!
Ana LuizaPostado por La Vie às 20:20 0 comentários

É melhor eu não falar em felicidade ou infelicidade, provoca aquela saudade desmaiada e lilás, aquele perfume de violeta, as águas geladas da maré mansa em espumas pela areia.
Eu não quero provocar porque dói...
(Clarice Lispector)
Postado por La Vie às 14:03 0 comentários
Outono, noite fria, céu azul escuro, muitas estrelas.
Onze de junho Choperia 566 (dois dias antes de meu nascimento "Dia de Santo Antônio", aquele que nunca me deixa segura para tomar essa atitude).
Assim comemorei meu aniversário com amigos e família. A presença de Estela (vinda de Belém) deixou-me feliz (grande amiga e quase filha), Aline Ferraz como sempre "transborda" alegria contagiante! Estar com o pessoal do meu trabalho e amigos mais antigos... isso não tem preço! Senti falta de alguns que tiveram outros compromissos (era feriado), mas que em pensamento estavam comigo. Minha mãe não saí (só para a igreja), meu Pai já não consegue levantar da cama, Ana Luiza ainda é pequena para cantar na noite ...rs
Mas Lígia e Rafael representaram todos.
O presente de Lígia nesse ano nocauteou! Tatuar o pé antes do casamento, foi a maior declaração de amor que poderia receber (claro que chorei). O detalhe do broche em strass é presente de Edinho (luxo). Depois de 10 anos, passei longe do "Blues" e adorei isso! O ambiente do 566 é singular, nada combida e tudo derrepente entra em completa sintonia! A energia é muito boa... Rolou muito vinho tinto, os amigos cantaram ... Eu? Ah, Aline por amizade subiu ao palco, escolheu uma música que gosto muito (Todo Azul do Mar - Venturini) e cantou, quanto a mim, apenas dublei!
Lígia bem que tentou cantar, mas basta ser linda! Rafael mandou bem ... Luiz, Tati, Estela, Ricardo, Gleison ... esses encantaram!
As fotos são de Marcos Ferreira (grande profissional) e amigo (devo uns vinhos), ninguém lembrou de tirar uma foto dele, mas vou providenciar ...
Agradeço todos pela presença, amizade e carinho! Ano que vem tem mais (talvez com botox).
Continuo em férias, cuidando de meu Pai, meio sem tempo para outras coisas, mesmo nessa situação: Feliz!
Postado por La Vie às 15:13 1 comentários
"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada.
De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor.
Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem.
Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada.
Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto ... uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir."
(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina - Clarice Lispector)