quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Apare os teus sonhos que a vida tem dono



Abre alas pra minha folia
Já está chegando a hora
Abre alas pra minha bandeira
Já está chegando a hora
Apare os teus sonhos que a vida tem dono
E ela vem te cobrarA vida não era assim,
não era assim
Não corra o risco de ficar alegre
Pra nunca chorar
A gente não era assim,
não era assim
Encoste essa porta que a nossa conversa
Não pode vazar
A vida não era assim,
não era assim
Bandeira arriada, folia guardada
Pra não se usar
A festa não era assim, não era assim
(Ivan Lins/Vitor Martins)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Domingo com Maria Madame

Domingo de folga, Estela em Sorocaba e Maria Madame no Depois Bar.

O suinge de Maria Madame (José Antonio Rosa)

O Maria Madame tem pouco mais de um ano e meio de estrada.
Começou com os amigos Bruno e Leonardo, que tocavam na noite. Desde então, já executavam releituras dos vários estilos. Jovens, ouviam coisas pouco conhecidas, como canções de Wilson Simonal.
Talvez até inconscientemente o “Maria...” (nome que, a princípio seria Madame Maria, mas que, por conta melhor sonoridade, mudou) foi beber na fonte dos ritmos mais suingados. Isso ficou patente com a chegada do vocal Júlio Moura.
A banda procurava um vocalista e fez testes com vários nomes. Assim que foi ouvido, Júlio ficou com a vaga. “Nós dissemos que ele tinha a cara do grupo. Só podia dar no que deu”, comentam Bruno e Gustavo.
Júlio é, de fato, o diferencial da proposta do Maria Madame. Quem o assistiu cantar os “rearranjos” que a banda faz, ficou com essa impressão. O “Maria...” obteve o segundo lugar na edição deste ano do Festival de Inverno do Bar do Bozó com “Oscar 121”, letra de Sérgio Bandeira Júnior que o conjunto musicou.


"Bem que mais,
Que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem... " (Vanessa da Mata)

"Você não vai me acertar
À queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir
Me beija a boca
Às vezes parece até
Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só... " (Lenine)

"Bebete vamos embora
Que está na hora
Olha que o sol vai sair
E Bebete sorrindo não parou de sambar... " (Jorge Ben Jor)





Guto e Estela


de novo ...


a número 1


Carmen e Sidney


Meg


Juliano e Estela


Estela e amigos


uniforme?


ele pode!!!


close


na balada ...


louras...


séria ...

beijinho ...


olha eu no fundo

um abraço!


Maria Madame no Depois Bar

adorooo...

vamos ao Belém?

um brinde

vem ...

sono...

lindo pé


esse baixista me mata!

com Sidney

bonitos na foto

é isso aí!

que susto!

pagamos a conta ...

já deu minha hora e eu não posso ficar
a lua me chama e tenho que ir pra rua


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Doce Presença



Sei que mudamos desde o dia que nos vimos
Li nos olhos que escondiam meu destino
Luz tão intensa
A mais doce presença
No universo desse seu olhar
Nós descobrimos nossos sonhos esquecidos
E aí ficamos cada vez mais parecidos
Mais convencidos
Quanto tempo perdido
No universo desse seu olhar
Como te perder
Ou tentar te esquecer
Inda mais que agora sei que somos iguais
E se duvidar, tens minhas digitais
Como esse amor pode ter fim?
Já tens meu corpo, minha alma, meus desejos
Se olhar pra ti, estou olhando pra mim, mesmo
Fim da procura
Tenho fé na loucura
De acreditar que sempre estás em mim...

(Ivan Lins/Vitor Martins)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O que dizer de mim?




Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim.
Não me sinto uma mulher como as outras.
Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações.
Tenho vontade de cometer harakiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço.
Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo.
Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral.
Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa.
Penso como um homem, mas sinto como mulher.
Não me considero vítima de nada.
Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha.
Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia.
Vida doméstica é para os gatos.
Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa.
Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope.
Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde vão parar minhas idéias viris.
Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease.
Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.
Sou tantas que mal consigo me distinguir.
Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção.
Num piscar de olhos fico terna, delicada.
Acho que sou promíscua, doutor Lopes.
São muitas mulheres numa só, e alguns homens também.
Prepare-se para uma terapia de grupo.

(Martha Medeiros)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Embriagem-se


É preciso estar sempre embriagado.
Aí está: eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, a vaga, a estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: É hora de embriagar-se!
Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso.
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

(Charles Baudelaire)

sábado, 29 de agosto de 2009

Bolo de Fubá

Esse texto encontrei no "Caderno Ela" - Jornal Cruzeiro do Sul, publicado na edição de 31/07/2009. Isso me levou de volta para infância.
Nasci em dia de Santo Antônio, houve aniversário que foi festa junina, adoro essa festa ... Quadrilha ... até nessa dança eu erro!





Quando chega o mês de junho, é tempo de quermesse, de fartura, de dança, do colorido das bandeirolas e dos casamentos de mentira. Há que se comemorar os santos, Antônio, Pedro e João, o que requer cardápio adequado e farto: sanduíches de pernil ou calabresa, quentão, pipoca, batata-doce, canjica e bolo de fubá, que desfila o ano inteiro nas mesas brasileiras, não apenas durante as festas juninas.
O bolo de fubá pode ser feito em diversas versões: com erva-doce, com coco, cremoso, com queijo. Simples, para que se possa comê-lo com café, ou com uma fina camada de goiabada derretida, como cobertura. Batido no liquidificador, na batedeira ou na mão, duas xícaras de fubá, uma de trigo, três ovos, leite, duas colheres de margarina, um copo de açúcar, fermento. Dos ovos, separam-se as claras, batidas em neve e levemente misturadas à massa. E sempre há uma criança à espera, para lamber a tigela de massa crua.
Mas bom mesmo é aquele que se espatifa todo ao ser cortado e que derrete na boca, ao ser comido ainda quente. E quando quente, não custa nada se espalhar, sobre sua massa amarelinha, um pouco de manteiga, para observá-la derreter e umedecer a textura de farofa doce, daquelas que não permitem a ninguém, absolutamente, falar com a boca cheia.
A noite cai, salpicada de estrelas. A sanfona desfia alegre, e a quadrilha dança, ao lado da fogueira. O casamento começa, mas logo vem a forma de bolo, cuidadosamente cortado em pequenos losangos. E mal o casamento de brincadeira havia se iniciado, já termina, porque o falso padre dá a benção ao mesmo tempo em que mastiga, e não há chuva e nem ponte caída que impeçam a brejeirice da Mariazinha, de fitas e retalhos, que reparte aos risos um pedaço de bolo de fubá com o João, com quem fugiu para longe da festa. E enquanto riem de mãos dadas, ele assopra das tranças castanhas as migalhas que se espalharam pelo vestido e rolam agora pelo chão. E quando voltam para a festa, o pai da noiva, desconfiado, espia o genro e seu bigode de carvão, desmanchado com os restos de beijo e de fubá...


Míriam Cris Carlos, doutora em Comunicação, acha que comida é memória e é cultura (micriscarlos@uol.com.br)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ressurreição


Mas quem sabe se ela não estaria precisando morrer?
Pois há momentos em que a pessoa está precisando de uma pequena mortezinha e sem ao menos saber. Quanto a mim, substituo o ato da morte por um seu símbolo. Símbolo este que pode se resumir num profundo beijo, mas não na parede áspera e sim boca-a-boca na agonia do prazer que é morte. Eu que simbolicamente morro várias vezes só para experimentar a ressurreição.

(Clarice Lispector)

sábado, 22 de agosto de 2009

Cóleras


Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio.
Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.

(Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel García Márquez)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Não me esqueça


Já nem te lembras de mim, por certo,
porém, eu desperto, enviando-te os meus versos.
Repito tantas vezes, ouça:
Eu gosto tanto de ti, entretanto, preciso esquecer, não achas?
Devo te ver de modo diferente,
preciso tirar essa idéia maluca da cabeça!
Mas... mesmo que eu me acalme
por favor, não me esqueças!
(Cassandra Rios)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O que está sempre alegre


Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim,

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!

(Charles Baudelaire)

sábado, 8 de agosto de 2009

Elegância

Conforme prometi, esse é Marcos Ferreira, amigo e profissional que fez as fotos de meu aniversário esse ano. Teria muitas coisas para falar, mas o resumo encontrei nesse texto de Martha Medeiros. Marcos é elegante!


Marcos Ferreira



Porque "chic" é ser elegante!
Muito mais que uma roupa bonita, que uma maquiagem perfeita...
Elegância é atitude!





Elegância

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara:
a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores, porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

(Martha Medeiros)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Vida

Anne Geddes

Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

(Clarice Lispector)

domingo, 26 de julho de 2009

Rifo o meu coração, você quer?


Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamentec
ontra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armadura
se deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir.
Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer."
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

(Há dúvidas sobre autoria, em alguns sites o crédito é de Clarice Lispector)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aos amigos

O calendário está que 20 de julho é "Dia do Amigo", para mim é todo dia! Sempre estou com um, mesmo que seja em pensamento. Ando em fase "Martha Meideiros", escolhi esse texto que diz tudo o que sinto da amizade, nem é necessário dizer mais nada. Para meus amigos queridos: os mais antigos, mais próximos, distantes, mais recentes ... mas todos amigos!








Dei pra me emocionar cada vez que falo dos "amigos”. Deve ser a idade, dizem que a gente fica mais sentimental. Mas é fato: quando penso no que tenho de mais valioso, os amigos aparecem em pé de igualdade com o resto da família. E quando ouço pessoas dizendo que amigo, mas amigo mesmo, a gente só tem dois ou três, empino o peito e fico até meio besta de tanto orgulho: eu tenho muito mais do que dois ou três. São uma cambada. Não é privilégio meu, qualquer pessoa poderia ter tantos assim, mas quem se dedica? Fulano é meu amigo, Sicrana é minha amiga. É nada. São conhecidos. Gente que cumprimentamos na rua, falamos rapidamente numa festa, de repente sabemos até uma fofoca pesada sobre eles, mas amigos? Nem perto. Alguns até chegaram a ser, mas não são mais por absoluta falta de cuidado de ambas as partes. Amizade não é só empatia, é cultivo. Exige tempo, disposição. E o mais importante: o carinho não precisa - nem deve - vir acompanhado de um motivo. As pessoas se falam basicamente nos aniversários, no Natal ou para pedir um favor - tem que haver alguma razão prática ou festiva para o contato. Pois para saber a diferença entre um amigo ocasional e um amigo de verdade, basta tirar a razão de cena. Você não precisa de uma razão, basta sentir a falta da pessoa. E, estando juntos, tratarem-se bem. Difícil exemplificar o que é tratar bem. Se são amigos mesmo, não precisam nem falar, podem caminhar lado a lado em silêncio. Não é preciso troca de elogios constantes, podem até pegar no pé um do outro, brigar talvez (e porque não!?) delicadamente. Não é preciso manifestações constantes de carinho, podem dizer verdades duras, às vezes elas são necessárias. Mas há sempre algo sublime no ar entre dois amigos de verdade. Talvez respeito seja a palavra. Afeto, certamente. Cumplicidade? Mais do que cumplicidade. Sintonia? Oh, céus! Santa pieguice, Batman! Amor? Esta lengalenga de novo? Sério, só mesmo amando um amigo para permitir que ele se atire no seu sofá e chore todas as dores dele sem que você se incomode nem um pingo com isso. Só mesmo amando para você confiar a ele o seu próprio inferno. E para não invejarem as vitórias um do outro. Por amor, você empresta suas coisas, dá o seu tempo, é honesto nas suas respostas, cuida para não ofender, abraça causas que não são suas, entra numas roubadas, compreende alguns sumiços - mas liga quando o sumiço é exagerado. Tudo isso é amizade com trato. Se amigos assim entrarem na sua vida, não deixe que sumam. Porém, a maioria das pessoas não só deixa como contribui para que os amigos evaporem. Ignora os mecanismos de manutenção. Acha que amizade é algo que vem pronto e que é da sua natureza ser constante, sem precisar que a gente dê uma mãozinha. E aí um dia abrimos à mãozinha e não conseguimos contar nos dedos nem dois amigos pra valer. E ainda argumentamos que solidão é um sintoma destes dias de hoje, tão emergenciais, tão individualistas. Nada disso. A solidão é apenas um sintoma do nosso descaso.


(Martha Medeiros)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Quero demais



O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

(Florbela Espanca)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Nascimento do Prazer

(Foto: Filme " O Livro de Cabeceira")

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.


(Clarice Lispector)

sábado, 4 de julho de 2009

Exagero Emocional?

Foto simplesmente "tudo de bom"...
Quero olhar e lembrar-me que gosto de homem bonito e de atitude, mesmo depois de morto! Fui chamada, na verdade recebi um e-mail, nem falou olhando nos meus olhos: você é "sentimentalista" e tem "exagero emocionail", amei isso (leia: sentimentalista = todo sentimento e exagero emocial = intensa) , será que me conhece? Olha que sou transparente. "Fratura exposta", tudo ou nada, quente ou frio, não existe meio termo em minha vida, sou por inteira, eu só quero isso!
Nessa procura, encontrei esse texto de Martha Medeiros que tem a minha cara, ou não?







Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos , um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.

(trecho de "O Divã" - Martha Medeiros)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Rosa

Ana Luiza... letra e música de Tom Jobim.
Essa lindinha fez 10 anos no dia 30, um presente de Deus!
Esperei 9 meses por "Lucas" e que supresa ao ver quem veio.
Parece que foi outro dia, Lídice me levava à Maternidade, só via Lígia no final do corredor, felicidade misturada com medo.
Pensei em colocar um poema de Cecília Meireles ou Mário Quintana, mas como Ana Luiza adora música escolhi "Rosa" (combina com o casaco da foto), não é isso... é uma das mais belas letras que conheço.

Eu te Amo!




Ana Luiza


Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa
No amor!
Por Deus esculturada
E formada com ardor...
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida
Pelo beija-flor...
Se Deus
Me fora tão clemente
Aqui neste ambiente
De luz, formada numa tela
Deslumbrante e bela...
Teu coração
Junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado
Sobre a rosa e a cruz
Do arfante peito teu...
Tu és a forma ideal
Estátua magistral
Oh! alma perenal
Do meu primeiro amor
Sublime amor...
Tu és de Deus
A soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração
Sepultas um amor...
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes
Cheios de sabor
Em vozes tão dolentes
Como um sonho em flor...
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim
Que tem de belo
Em todo resplendor
Da santa natureza...
Perdão!
Se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh! flor!
Meu peito não resiste
Oh! meu Deus
O quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar
Em esperar
Em conduzir-te
Um dia ao pé do altar...
Jurar aos pés do Onipotente
Em preces comoventes
De dor, e receber a unção
Da tua gratidão...
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te
Até meu padecer
De todo fenecer...
(Rosa - Pixinguinha/ Otávio de Sousa)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Saudade



É melhor eu não falar em felicidade ou infelicidade, provoca aquela saudade desmaiada e lilás, aquele perfume de violeta, as águas geladas da maré mansa em espumas pela areia.
Eu não quero provocar porque dói...

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Niver Choperia 566

Outono, noite fria, céu azul escuro, muitas estrelas.
Onze de junho Choperia 566 (dois dias antes de meu nascimento "Dia de Santo Antônio", aquele que nunca me deixa segura para tomar essa atitude).

Assim comemorei meu aniversário com amigos e família. A presença de Estela (vinda de Belém) deixou-me feliz (grande amiga e quase filha), Aline Ferraz como sempre "transborda" alegria contagiante! Estar com o pessoal do meu trabalho e amigos mais antigos... isso não tem preço! Senti falta de alguns que tiveram outros compromissos (era feriado), mas que em pensamento estavam comigo. Minha mãe não saí (só para a igreja), meu Pai já não consegue levantar da cama, Ana Luiza ainda é pequena para cantar na noite ...rs

Mas Lígia e Rafael representaram todos.

O presente de Lígia nesse ano nocauteou! Tatuar o pé antes do casamento, foi a maior declaração de amor que poderia receber (claro que chorei). O detalhe do broche em strass é presente de Edinho (luxo). Depois de 10 anos, passei longe do "Blues" e adorei isso! O ambiente do 566 é singular, nada combida e tudo derrepente entra em completa sintonia! A energia é muito boa... Rolou muito vinho tinto, os amigos cantaram ... Eu? Ah, Aline por amizade subiu ao palco, escolheu uma música que gosto muito (Todo Azul do Mar - Venturini) e cantou, quanto a mim, apenas dublei!

Lígia bem que tentou cantar, mas basta ser linda! Rafael mandou bem ... Luiz, Tati, Estela, Ricardo, Gleison ... esses encantaram!

As fotos são de Marcos Ferreira (grande profissional) e amigo (devo uns vinhos), ninguém lembrou de tirar uma foto dele, mas vou providenciar ...
Agradeço todos pela presença, amizade e carinho! Ano que vem tem mais (talvez com botox).

Continuo em férias, cuidando de meu Pai, meio sem tempo para outras coisas, mesmo nessa situação: Feliz!




Dois bolos, dois pedidos ... Foto by Ly Ferraz



Família Stefani (Feliz)



www.poderosas.com - Foto by Adriana Almeida



Tattoo by Ricardo Bibiano - presente de Lígia



Estela



beleza é coisa de família ...



Ettore - o mágico com foulard ...



Regina, Angelita e Cris - só Deusas ...



Rafael e Lígia

Camila e Bizú

Márcio e Edinho


Daniel e Priscila



Rê, Estela e Andreia



Gleison e Ricardo (amigos de samba)



Estela ...


Regina e Vanderson


Adriana e Gleison

Adriana Almeida




linda Tânia e Fábio

Andreia, Estela, eu e o vinho ... e Cris !

vamos brindar?

Ly Ferraz e Jean


Feliz...


Tatiane e Estela

Angel, Estela, Andreia e Tati


Tati e Luiz

linda e ainda canta

com Estela

Cris, Estela, Tânia e Fábio

Adriana e Gleison

Aline cantou e encantou ... eu peguei carona e dublei ...



amei essa foto!


com Dany Boy

com Ricardo



Mait e Alexandre


Angel e Andreia


com o maravilhoso Gleison

 
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